Quinta-feira, 26 de Janeiro de 2012

Bola de basquet

Uma amiga que teve bebé há poucos meses disse-me as dores do parto são semelhantes às dores do período, embora mais fortes. E as dores que ela tem não são tão fortes como as minhas, porque nem tem de tomar nada e anda "na boa".

Portanto, hoje devo estar a parir uma bola de basquet por uma das trompas.

Desconfio que quando tiver um bebé vai ser facílimo, porque as dores que tenho são equivalentes a ter um parto todos os meses. Basicamente 72h de contrações e sofrimento sem parar.

Segunda-feira, 23 de Janeiro de 2012

Preconceito sobre o Tarot

Pela primeira vez na vida senti o preconceito. Preconceito por ler as cartas, vulgo ser taróloga.

Uma coisa é alguns amigos meus brincarem com isso, outra coisa é ouvir o que ouvi, (ou ler o que li) vindo de uma pessoa com quem falo há algum tempo. O que vale é que não o considero amigo mas sim um conhecido. Nunca tinha sentido o desrespeito por alguém que falava comigo e que a partir do momento que lhe disse, que leio cartas, passei a ser completamente ofendida e desrespeitada. E aparentemente, sou uma pessoa sem cérebro.

Revolta-me, não só pela atitude, mas pela pessoa que ele é. É educado, estudou, logo, supostamente teria uma mente mais aberta, etc etc. Ui, estarei a ser preconceituosa? Que banhada de pessoa.

Tenho que explicar aqui uma parte. Ele é uma pessoa que também tem algumas questões, a mulher dele é bissexual, gosta de gajas como ele diz, e têm uma relação aberta, tanto que ele me disse isso e que ela de vez em quando conhece gajas e vai sair com elas para ver se rola alguma coisa. Ele também anda à procura de mulheres inteligentes e interessantes para conhecer e sair. Nós começámos a falar, mas apenas para falar, discutir ideias, nada de mais. Não tenho qualquer interesse em dar umas voltas com um gajo comprometido. Nem sou de dar voltas com ninguém, quanto mais alguém comprometido! Por mais aberta que seja a relação deles.

Ele disse-me várias vezes que tinha interesse em conhecer-me melhor, mas sempre deixei claro que não me meteria em filmes deste género. Só se fosse maluquinha! Sendo assim, respeitei as opções deles como casal. Uma vez a namorada chegou a vir falar comigo no facebook e a dizer que não sente quaisquer ciúmes por eu falar com ele, e que se ficássemos mais que amigos que ficaria muito feliz. Além do mais, que sabia que eu não jogo no mesmo campeonato que ela, por isso não se iria atirar a mim. O que é que eu pensei? "Gente doida, só pode, vou fugir destas pessoas!" Eles são do Porto, eu de Lisboa, portanto achei que era fácil de controlar, não tenho receio de chocar contra eles na rua, por isso continuei a falar, mesmo sabendo da forma como se relacionam e como a sua relação tem uma porta aberta com o mundo. A relação é deles, não tenho nada a ver com isso, cada um sabe o que quer para si. Para mim, não funcionaria. Mantive sempre a distância em relação ao interesse dele.

Com todo o desrespeito e desprezo com que fiquei por ele, vou transcrever o diálogo, pois de certa forma é um marco histórico para mim, mas por outro lado nunca me senti tão taróloga como agora. E devo dizer que não sinto qualquer vergonha nisso.

Vou transcrever algumas partes até para não ficar muito longo.

Ele abriu a conversa:
(...)
Ele - Senti falta da tua boa-disposição esta semana.
Eu - Não ando com vontade de vir a net.
Ele - Passou-se alguma coisa, ou calhou?
Eu - Não vir para net a perder tempo. Para quê? Não serve para nada, não se aprende nada.
Ele - Para falares comigo. Eu sou uma pessoa razoavelmente interessante.
Eu - Claro claro.
Ele - Ya eu sei como é, mas perdes oportunidade de me veres cursar sobre trivialidades e de como te acho interessante e tal. (Não é mentira).

Neste momento falámos da minha falta de trabalho, visto que ando à procura de emprego há alguns meses e me sinto um bocado frustrada com isso.

Ele - Hum... mas custa-me ver-te assim desmotivada. Sinceramente...
Eu - Não é bem desmotivada. Desmotivada estou com a faculdade...
Ele - ...tu és a mulher mais interessante que conheci nos últimos tempos...

Já em conversas anteriores me gabou a inteligência e o facto de ser uma mulher interessante, mas interessante é o que ele me disse. Conversa para cá, conversa para lá, surgiu o tarot, coisa que nunca lhe tinha falado antes.

Eu - (...) preciso é de voltar a pôr anúncios de Tarot e explicações (...)
Ele - Tarot? rotfl
Eu - (...) goza o que quiseres, quero lá saber. Sim, leio Tarot e dou consultas.
Ele - Ya é uma ideia (not!) mas tu acreditas nisso?
Eu - Pensa lá.
Ele - Uu sinceramente espero que não, porque é-me muito difícil conceber alguém inteligente que acredite. E quando digo inteligente, digo com mais de 2 células funcionais.
Eu - Eu vejo muita coisa nas cartas. Mas já vi que és daquelas pessoas a quem não posso falar disto. Na boa, és só mais um.
Ele - Pá, desculpa, mas é um turnoff mto grande. Se realmente achas que de alguma forma existe relação entre o que vês nas cartas e o dia-a-dia, é o tipo de coisa que não consigo ignorar.
Eu - Bem, eu vou dormir. Pensa como quiseres. És um preconceituoso, portanto. Só aceitas o racional.
Ele - Chama-lhe o que tu quiseres. Conheço o processo.
Eu - Yep, já chamei.
Ele - Como alguns outros similares (geomancia, astrologia, etc).
Eu - Estava-te a contar coisas sobre mim, mas já me arrependi.
Ele - Se tu achas que é ser preconceituoso, não posso fazer nada quanto a isso.
Eu - Acho claramente que é, que o estás a ser comigo, mas é a tua postura, vivo bem com pessoas assim. Há muitas.
Ele - Pá, Marta, lamento, mas isso para mim é mesmo um showstopper, não consigo respeitar uma pessoa que leve isso a sério.
Eu - Tá. Então vou dormir. Beijinhos
Ele - Intés [[]]

Depois mandou-me uma mensagem. Esta é a troca de sms.

Ele - Desculpa se pareci insensível, mas para mim é uma temática essencial, e sinceramente não sei como não ser cretino porque nunca precisei.
Eu - Da mesma forma que aceito as diferenças que tens das outras pessoas, o minimo aceitável é respeitares as minhas. Não o fizeste e foste ofensivo. Fizeste um julgamento acerca da minha pessoa, condenaste-me pelos teus padrões, mas no entanto, sou e continuo a ser o mesmo ser humano que era antes. Como tal, não venhas com moralismos sobre o que é ou não é ser inteligente. Nem te admito. Essa tua postura não é ser racional ou inteligente, há outros nomes para isso. Portanto, não venhas falar de pessoas inteligentes ou que tenham "2 neurónios". E sim, concordo que foste um cretino.
Ele - Achar que a disposição e sequência de uns pedaços de papel pintados de alguma forma fornece insight sobre o futuro implica acreditar não só em rituais mágicos, mas também que toda a existência é predeterminada, e que não existem eventos verdadeiramente aleatórios. Isso é contrário à ideia de livre arbítrio, e no fundo quer dizer que não adianta o que fazes, o resultado será sempre o mesmo. Não era minha intenção ofender-te.
Eu - Quem te explicou explicou apenas uma parte, nem é o todo. Mas como não pões a hipótese de respeitar sequer o meu lado, visto por quem participa nestas coisas não pode ser alguém com cérebro, não tenho qualquer intenção em perder tempo a explicar-te seja o que for.
Ele - É curioso como tu assumes "o que eu sei" sobre o tema. És livre de acreditar na arte divinatória que quiseres, no pai natal ou no homem do saco. Não me peças é que te leve a sério.
Eu - Assumo baseado no que me disseste e como disseste. O que vejo e a conclusão que tiro é que não pretendes respeitar-me como pessoa. Viva o preconceito.

Bem, em conclusão. Um gajo que tem uma visão das relações conjugais um pouco fora do comum, e que fica ofendido se alguém não compreender a sua opção e tudo mais, apontou-me o dedo desta forma. A única coisa que sinto e que de certeza que continuarei a sentir com esta atitude preconceituosa da parte dele, é um profundo desprezo. Por ele, e por todas as pessoas que representam a forma como ele diz, age, e lida com algo que não concorda.

Não imponho as cartas a ninguém, não tento sequer "converter" ninguém em acreditar, nem pressiono ninguém a ter uma consulta, nada de nada. Cada um é como é, e da mesma forma que eu respeito as diferenças dos outros, considero que o mínimo aceitável é que respeitem as minhas.

Não é diferente de ser racista, xonofobista, ou qualquer outra forma de desprezo por alguma diferença que outro ser humano possa ter por ser diferente de quem despreza. Eu desprezo-o. Respeitava-o, mas agora sinto um profundo desprezo. Da mesma forma que sinto desprezo por quem é racista, xenófobo, bully, skinhead, ou alguém que seja de que forma for, ostraciza outro, seja ser humano, seja animal, seja que forma, cor, diferença tiver.

Isto faz de mim alguém que ostraciza? Talvez. Desprezo quem maltrata os outros seja por ignorância, por maldade, por divertimento, por uma ideologia (doentia) ou por qualquer outra razão. Isso faz de mim uma pessoa condenável por alguém? Talvez. Mas esforço-me em melhorar todos os dias.

Sábado, 21 de Janeiro de 2012

Que terror de dia!

Ontem tive um dia terrível. E não poderia deixar de contar aqui no blog, foi tão inacreditável de tão... bem, começarei.

O dia começou pelas 3 da manhã, quando falava pela net com um amigo que não "via" há algum tempo. Estávamos a matar saudades.

E a net foi ao ar. Estranhamente nem dava sinal de vida e o modem estava esquisito. Liguei para o apoio cliente, e depois de alguns testes, disseram eles, que o meu modem avariou. Ora bolas, funcionou durante uns 6 meses e naquele preciso momento avariou. Que chatice! A loja mais próxima para trocar o equipamento ficava em Lisboa. Bem, fui dormir visto que nada poderia fazer.

Tive um sonho esquisito. Daqueles sonhos esqusitos que não fazem lá muito sentido. Então, passou-se o seguinte: o meu sonho falava do holocausto da 2ª Guerra Mundial, mas que, não tinha sido provocado por uma guerra, mas sim por um terramoto. Ora, aquela destruição toda que conhecemos por fotografias e videos tinha sido provocado por um super terramoto que abanou a Europa inteira! E o mais estranho, é que o momento que marcou o início do terramoto, foi um despiste super aparatoso de um Land Rover preto, de vidros esfumados, que fez uma curva, o carro fugiu do controle do condutor, virou, e começou a rebolar sobre si mesmo. Eu estava à janela a assitir ao despiste e logo de seguida a terra tremeu. E foi assustador. Um sisto gigante que atirou com prédios ao chão, cadáveres, pessoas a vaguear pelas ruas completamente desvairadas, fome, frio. Tinha imagens da destruição na minha cabeça e estava em casa de não sei bem quem, e andávamos afugir, sei lá eu de quem. Só sei que revia muitas vezes o acidente do carro despistado como se fosse o acontecimento que "desencadeou" toda aquela situação. E acordei em sobressalto. Com a sensação de um sonho completamente esquisito, de situações que não me faziam muito sentido, sem comprender, mas com a nítida sensação de que talvez numa vida passada tivesse assistido aos acontecimentos dessa segunda grande guerra mundial. E não foi muito boa, sentia pânico, dor, sentia a dor das demais personagens que fizeram parte do meu sonho, e foi uma sensação de fim. O que previa um início a seguir.

Bem, acordei e partilhei com a Raquel e com a Ana L. o meu sonho por mensagem. Devem achar que sou maluquinha, mas pronto, faz parte imagem que os meus amigos devem ter de mim, há anos. Eu cá vivo bem com isso, com o ser meio doida, mas vem com o pacote. E com o pacote vem muita coisa boa, e algumas maluqueiras, dentro das quais, os meus sonhos fora do vulgar.

O dia prometia. Tomei o pequeno almoço e liguei a tv, mas como apenas tenho os 4 canais e o que me pareceu mais interessante foi a Júlia num debate entre um Sr da cgtp e mais um outro que não faço ideia do nome nem de quem era, em que um defendia os trabalhadores e o outro as empresas. Ando sempre a leste da política e já percebi que quando vejo o telejornal me sinto deprimir, então não vejo todos os dias e logo não percebo nada quem é quem nem as tricas entre uns e outros. Nem tenho lá muita vontade.

Saí de casa para ir trocar o modem, estava no carro quando voltei atrás porque me esqueci dos óculos de sol, e não consigo conduzir sem eles. Pelo caminho peguei no auricular e liguei à Susana, estava a sentir-me negativa e queria falar com ela sobre isso. Fui demasiado negativa, porque todas as soluções e hipóteses que me sugeria eu arranjava obstáculos. E era verdade, tinha sono, dormi mal, e ando à procura de trabalho há demasiados meses e isso está a corroer-me por dentro. A falta de dinheiro é notória e sinto-me pobre. O dia não ia ser fácil.

Com a conversa na cabeça, com as preocupações constantes a povoarem-me a mente, com a contagem dos trocos, decisões a tomar.. Estacionei no Saldenha. Tirei trocos para pagar o parquímetro e as moedas caíram-me para o chão e para o o carro num espaço onde não conseguia chegar a elas. Mas o que se passa? Mãos de manteiga. Lá paguei uma hora e dirigi-me ao Fórum Picoas à loja da PT. Fiquei quase 1h à espera de ser atendida e tinha apenas 3 pessoas à minha frente. Ao meu lado um outro cliente, descontente com eles, a queixar-se "estou farto de vocês e do vosso atendimento até à ponta dos cabelos" e a contar as situações todas pelas quais tinha passado. Uau. Comecei a pensar, "bem, ainda me dizem que não podem fazer nada e depois tenho que me chatear e pedir o livro de reclamações, bem, pensamento positivo, vá lá Marta". Chegou a minha vez, fui atendida ao que o rapaz disse logo que estava na loja errada. Levou-me até ao local correto e pediu ao colega da outra loja para me antender com alguma rapidez. "Tem a password consigo?" "Password? Ninguém me disse que a deveria trazer" "Não faz mal, quando chegar a casa configure o modem". Vim para casa com o novo modem.

Chego, monto tudo, ligo o cd, tento perceber as instruções, mas está tudo para pc, os menus, os passos, tudo, e não estava a conseguir fazer isto sozinha. Para evitar irritar-me peguei no telefone de casa para ligar ao apoio cliente, e vejo que o telefone não dá sinal de vida. Liguei do telemóvel (a pagar um balúrdio por minuto), ajudam-me a configurar isto, e dizem que realmente não estou a receber os megas do plano que pago e que estou a receber muito menos mas que vão verificar a situação. Entretanto fazem testes ao telefone e dizem-me que está avariado e que tenho que o ir trocar à loja. Em Lisboa claro. Só me apeteceu atirar com o telefone à parede.

No meio disto tudo, tinha que acabar um mindmap para entregar na faculdade na aula das 18h30, estava um bocado stressada com aquilo, e o meu telemóvel não parava de tocar. Liga o meu irmão a pedir o meu step porque a namorada queria experimentar para decidir se queria comprar um para ela, mas que não ia ficar com ele muito tempo e tal, e combinei com ele para virem cá no fim de semana que assim experimentavam cá e escusavam de andar com ele de um lado para o outro. Bem, pareceu-me que fui clara que não estava com vontade que ele o levasse.

Liga-me o meu pai a perguntar se podia passar cá em casa para me ver da torneira que pingava. 5m depois liga o meu irmão a pedir se eu podia dizer ao meu pai para que ele levasse o step lá para casa. Tipo, combina as coisas comigo e depois descombina, eu passo-me com estas coisas. Lá voltei ao que estava a fazer do mindmap. Chega o meu pai e começa a fazer 500 perguntas sobre a torneira. Eu a tentar concentrar-me para fazer o trabalho. Liga-me a PT para verificar questões acerca do equipamento (o modem que tinha sido acabado de trocar e o telefone que subitamente tinha deixado de funcionar) por não estar a receber os megas blá blá. Entretanto conto ao meu pai como foi o telefonema com o meu irmão e transmito o recado, ao que o meu pai diz que não quer saber disso para nada, que resolva com o meu irmão e que não leva step nenhum porque não há espaço lá em casa. Eu cá no meu canto, só me ligam para me pedir ou chatear ou seja lá o que for, e depois os problemas vêm para cima de mim. God.

Bem, acabada a torneira, acabado o trabalho, saio de casa para ir para a faculdade. Esqueci-me do telefone fixo em casa. Volto atrás e vou buscá-lo para o levar à loja novamente. No caminho ligo à Ana L. pois não recebeu as minhas respostas no chat do facebook, e então queria responder-lhe. Estou a falar com ela no auricular e liga-me a Vanessa para esse número, e liga-me a minha a Ana P. para o outro telefone. Mas isto não pára hoje!! Desliguei com a Ana e atendi a outra Ana. Estava a contar-me como foi uma conversa que teve com uma amiga dela, blá blá, uma confusão em que fui metida para safar outra rapariga. Tudo isto por causa de uma amiga dela que é desbocada e que diz coisas que não deve e só se enterra. Entretanto também me disse que tenho que defumar a minha casa mais vezes, para me proteger, porque no outro dia deixei lá em casa uma presença que lhe estoirou com a televisão, e que as avarias que estou a ter podem muito bem ter a ver com isso, que ainda há restos desse inquilino na minha casa. E mais, vou ter que defumar a minha casa com enxofre para garantir que sai tudo. "Não há mais nada para me acontecer?"

Ainda estava a falar com ela quando voltei à loja. Sou finalmente atendida e o telefone funciona. Epá, a sério, alguém anda a gozar comigo só pode! São estas presenças mázinhas que andam a brincar comigo! Até andava com uma pedra de cânfora no bolso para não se agarrarem a mim, inquilinos "brincalhões"! E sempre que abria o bolso lá me vinha um cheiro, que eu só pedia para que mais ninguém o cheirasse ou pensavam que andaria a usar a roupa da avó cheia de bolas de naftalina ou algo semelhante.

Entretanto tento ligar à Vanessa e não me atende. Liga-me a Susana, ficámos com a conversa a meio mas embora quase impossível, já me sentia um pouco mais positiva e ficámos de falar no dia seguinte com mais calma já que iríamos jantar juntas. Falei também com a Teresa, combinámos que ela passava lá em casa mais logo para conversarmos um pouco.

Cheguei à faculdade, já um pouco atrasada, completamente em stress por causa do dia que estava a ter. Entretanto reparo que a Dadá me liga, mas não podia atender, liga-me a Vanessa e também não podia atender, e estou a trocar mensagens com a Raquel, a Ana L. e o Miguel que teve uma entrevista de trabalho e eu queria saber como tinha corrido! Estou mesmo a ficar velha, já não consigo dar conta do recado, toda a gente a precisar da minha atenção e eu sem conseguir responder a todos. Ou então ontem toda a gente se lembrou de mim, E AO MESMO TEMPO!

Com o Miguel falava da entrevista, com a Vanessa mandei mensagem a dizer que ainda não recebi carta nenhuma dela, com a Ana L. falava do meu dia que estava a ser a loucura total e de uma hipótese de ir trabalhar com ela, mas como são recibos verdes provavelmente não me compensa monetariamente, e a Teresa a ligar-me ao mesmo tempo. Falava também com a minha colega, que tínhamos estado a trocar sms durante a tarde sobre o trabalho (sim, ao mesmo tempo que trocava com a Ana L. e falava com o meu irmão e o meu pai, a PT e fazia o mindmap). Acabada a aula, entrego o mindmap à professora e confesso.lhe que o mais provável é ir desistir do curso visto que não tenho dinheiro para pagar as propinas. Na verdade, nem sei como vou pagar as contas este mês. Está a ficar complicado. Fiquei de enviar um email à Susana, de enviar o meu CV à Ana L., de fazer uma sobremesa para o dia seguinte para o jantar para poder estar com a Ana L. antes e ensiná-la a defumar a sua casa e explicar-lhe umas coisas acerca das velas que deve fazer.

Entretanto, a Teresa ligou-me pela 5ª vez assim que saí da aula, a dizer que tenho de ir a correr para casa dela e dizer que me chateei com o meu namorado, ou que os meus pais me puseram na rua ou algo assim para justificar que tinha que dormir lá. Eu só sei que respondi algo como.. "han?" e ela só dizia "eu depois explico, chau!". Mas a sério, isto está mesmo a acontecer?

Fui para o carro, liguei à Dadá "Marta, ligo-te às 22h pode ser? É que agora não consigo mesmo falar, até já", desligo e liga-me a Vanessa. Já a entrar em ponto de ruptura a pensar, "isto é informação a mais e o meu cérebro vai explodir a qualquer momento", mas ok, falámos um pouco, e ela disse-me que precisava dos meus serviços, estava com duas hipóteses de trabalho e não sabia qual escolher "Tens de me ler as cartas!! Acertas em tudo!!", sim, ficou marcado para domingo e mais um assunto resolvido neste dia. Estava na fila para pagar a gasolina e a Teresa liga-me, "Marta demoras muito? Tens de vir ter a minha casa.." "Teresa, tu tens é alguém aí em casa e queres livar-te da pessoa e não sabes bem como, o que se passa? Estou demasiado cansada, estou a ter um dia inacreditável, preciso mesmo de descansar. Vai ter a minha casa, como combinámos, dizes que tens que sair e pronto. Devo demorar uns 15m, 20m a chegar a casa, dou toque quando chegar." Paguei, pus gasolina, meti-me a caminho de casa.

Liga-me a Teresa 5m depois "já chegaste?" "Tipo, Teresa, só passaram 5m, e ainda nem te dei um toque, então não, ainda não cheguei" "é que não estás bem a ver o que me está a acontecer, uma amiga, conhecida disse que o marido a pôs na rua então pediu-me para lhe guardar as coisas lá em casa, eu guardei e depois pediu-me para dormir lá em casa, mas não quero dizer que não mas também não a quero a dormir cá em casa. Entretanto ela ligou-me a dizer que já não precisa de dormir na minha casa mas que mandou uma carrinha buscar o meu colchão!!" "Buscar o teu colchão? Mas pediu-te emprestado?" "Não!!! Disse que vinha buscar, por isso vou ter que me livrar deles, olha isto só a mim, que filme completamente louco este, só conheço gente doida! Dá-me um toque às 22h05 que eu ligo-te!" Bem, nem queria acreditar no que tinha acabado de ouvir. Chego a casa e sento-me finalmente, a pensar que vou ter 20m de descanso e liga-me a Dadá. Epá a sério lol Bem, tinha mesmo que falar com ela portanto falei, eis que chegam as 22h05 e a Teresa começa-me a telefonar assim.. 6 vezes seguidas, e só parou quando lhe mandei uma sms a dizer que estava ao telefone e não podia atender. Que stress! Isto só a mim. Desliguei com a Dadá, ligo à Teresa e ela vem ter comigo. "Preciso que me leias as cartas! A minha vida está um caos!" Sinto o cérebro a borbulhar.

Montei o telefone, fiz uns testes, não funcionava. Troquei uns fios e voilá! Funcionou!

Envio o cv à Ana L. Chega a Teresa, contamos o dia inacreditável de cada uma, acompanhadas de um chá, e estou lavar a loiça e a dar um jeito à cozinha para em seguida fazer a sobremesa, quando me liga o meu irmão. "Oi, estamos a vir do cinema, dá para passarmos aí em casa?" Bem, disse que sim pois já estava um bocado farta dos telefonemas por causa do step. Apareceucom a namorada, deram umas festas à gata, ela experimentou o step, conversámos um bocado (eu e ele) e saíram com o step com eles. Perguntei quando estava a pensar devolver-me, ao que me respondeu "Quando a Nádia for embora" "Portanto, daqui a um mês" "Sim". Ok. Tipo, nem comento. Sou é mesmo parva.

A Teresa ficou com fome e eu apetecia-me umas batatas no forno e resolvemos fazer comida. Batatas no forno com sal, pimenta, azeite e tomilho. Entretanto uma quiche de vegetais e em seguida a sobremesa para o jantar. Só nos riamos, porque a gelatinha que era para a sobremesa ficou tipo pedra e então tive que passar a sobremesa por um passador para tirar aqueles grumos todos. O que mais estava para acontecer? Que dia comprido. Abrimos outra caixa de folhas de gelatinha e desta vez resultou, juntámos ao preparado e pusemos uma camada de bolacha por baixo e lá ficou no frigorífico. Ela também teve um dia terrível e esteve a contar-me,. Aquela mulher tem um azar na vida... fartou-se de chorar. "Pronto, já abriu a torneira!" é o que eu costumo dizer. Comemos, conversámos, e bebemos uns copos de bailys até que eram 3h30 da manhã e ela foi para casa.

Finalmente liguei o computador e falei com o Miguel para me contar como correu tudo. Vi o resto do Lost que estava a dar no canal 1 e fui dormir.

Que sexta feira 13, este dia 20 de Janeiro de 2012!

Domingo, 25 de Dezembro de 2011

Coragem..

Às vezes é preciso coragem para dizer adeus ao passado e cortar com ele de uma vez por todas.

"Há males que vêm por bem", dizem alguns, eu acho mais que "há bens que vêm por males", pois foi isso que senti. "Longe da vista, longe do coração", e essa é uma verdade forte e real. E fico feliz por sentir que funciona e bem.

Por isso decidi cortar com tudo o que era teu. Apaguei-te de todos os lados. É melhor assim. Agora nem penso em ti todos os dias, embora sinta a tua presença em muitos momentos e isso chateia-me. Por um lado porque não consigo esquecer a 100%, por outro, és apenas uma memória de um passado doloroso. Não queria nada sentir-te e associar-te a um passado recente e extremamente doloroso, mas há escolhas que se fazem, tu fizeste as tuas, e eu consegui (finalmente) perdoar-te. Tirei esse peso de cima. Embora.. quando penso no passado só me lembre dos momentos maus que passei, da tristeza que foi minha companheira no último ano, depois de termos cortado relações.

Marcou 2011. Detestei este ano.

Desejo-te felicidades.

Mas desejo muito mais felicidades para mim, que bem mereço :)

Quinta-feira, 22 de Setembro de 2011

Amizade pura!

Acabei de ver este video e estou super comovida, já me fartei de chorar. Os animais são extraordinários. Este video fala de amor incondicional, não tenho dúvidas.

Como poderei dizer-te, que estou apaixonada pela tua alma?

Dou por mim a tentar dissecar o sentimento de amar. "Como é que eu explico que amo alguém sem querer que seja rotulada de que estou apaixonada por essa pessoa?"... Mas estou apaixonada, só que não da maneira convencional.. Bem, vou tentar explicar.

Dou por mim a sentir que amo uma nova pessoa que apareceu na minha vida. Não um amar de querer sexo até perder o fêlego e sentir borboletas no estômago ou até de casar e ter filhos... não é bem isso, mas por vezes parecido. Embora... há alturas em que o homem em questão me faz sentir uma pontinha de tristeza por não o ser possível, confesso. Noutras circunstâncias poria essa hipótese, sem hesitar. Numa outra vida, na próxima talvez.

É estranho, acho que nunca me vi numa situação destas. Amo esta amizade, esta relação química de palavras, de entendimentos, de exposição de ideias, este carinho, que por vezes nos tira os pés do chão, durante um momento de "ses" mas logo para voltarmos à terra.

Uso o verbo Amar. É o que melhor o define. Dizer "gostar" seria injusto e inadequado, não lhe faria justiça.

No meio do caos em que me encontro nestes últimos e tantos meses negros, numa infindável dor interior, mas que parece estar a chegar ao fim, há uma diferença que estou a sentir e no momento que estou a viver e me marca, pela positiva. Finalmente algo positivo neste ano!

É como se alguém me estivesse a dar a mão, para me ajudar a levantar e poder seguir o meu caminho novamente. Mas nunca esquecerei que me deu a mão, e na altura certa.

Amo a tua alma. Amo a oportunidade que estou a ter, de limpar a minha vida de tanta negatividade com uma visão diferente, com a tua visão. No fundo, é isto que sinto desde que te conheço. Vejo a vida de outra forma, tocas-me bem no fundinho do meu ser. Nem sei explicar muito bem, é diferente, é novo, é bom. E estou a gostar da experiência. É como um novo começo.

Nunca gostei de me sentir vulnerável e frágil, mas no entanto, contigo sinto que o posso ser. Tentei a minha vida toda esconder dos outros quando me sentia assim, porque as poucas vezes que o mostrei, o resultado foi devastador. Contigo não é.

Seja o que for que vem dali, posso dizer que neste momento gosto, gosto muito, amo o que estou a sentir, o que estou a descobrir, o que estou a descobrir sobre mim, e o que ele me aponta, da forma como o diz e dá valor.

Isto vai soar tão superficial.. aquelas meninas, manequins, lindas, magras, vistosas, bem maquilhadas, perfeitinhas... ele diz que as ponho a um canto. Simplesmente por ser um "amor de pessoa", por ser quem sou. E é capaz de enumerar características minhas, que considerava defeitos ou desvantagem, mas ele aponta-as como se fossem pequenas preciosidades que fazem parte de mim e me particularizam. Nunca me olhei assim, desta maneira, não na sua totalidade. Valorizo-me desde sempre, mas há muito tempo que não me sentia tão especial como um todo, como um ser humano especial e único.

Fazes-me bem, fazes-me muito bem. Quero alguém assim, do meu lado, uma alma irmã, até ao fim dos meus dias. Conquistaste um lugar muito especial.

A tua presença e existência na minha vida marcam um fim de ciclo e um início de outro. Estou-te eternamente agradecida.

Como poderei dizer-te, que estou apaixonada pela tua alma?

Uma pequena retrospectiva

Tenho estado a ler alguns posts mais antigos. Realmente, este está a ser um daqueles anos super complicados. É quase uma "Idade Média" mais propriamente dita na língua inglesa, uma "The Dark Ages" que me está a marcar tão profundamente. Mas agora consigo ser realmente optimista comparado com há uns meses atrás. Estava desesperada, frustrada, triste e magoada.. ainda estou. A diferença é que neste momento não me sinto a carregar o peso do mundo.

Felizmente, agora não me sinto assim.

Ainda hoje falava com uma amiga, sobre pessoas que cruzam as nossas vidas. Algumas, que às vezes parecem não ter qualquer importância, mas mais tarde descubro o peso e a relevância que têm em mim e no meu crescimento pessoal como pequenos guias de pedaços de caminho. Outras, parece que são extremamente importantes, chegam de assalto como se de uma bomba se tratasse, deixam tudo num caos, vêm revolucionar, fazer e acontecer, mas o resultado é o meu mundinho ficar do avesso e deixarem um buraco doloroso.. na melhor das hipóteses ajudarem-me a perceber o que realmente não quero mais. nunca mais. Acabam por desvanecer como se de uma brisa se tratasse. Daquelas tipo tufão do pior nível existente. E ainda há aquelas, que são talvez as que mais influência acabam por ter, às vezes sem se aperceberem, às vezes sem sequer saberem o meu nome nem eu o delas. Basta uma palavra diferente, um outro ponto de vista, ver, perceber, viver a vida de uma maneira que não a minha, para me fazer pensar, questionar, sentir se é mesmo aquele o caminho que quero seguir. Basta por vezes estar no meu canto como observadora, compreender como algumas almas que se cruzam com a minha vivem a vida. Apenas isso, tão simples.

O engraçado é que essas pessoas normalmente não fazem a mínima ideia de como um gesto seu ou uma palavra pode mudar tudo. Às vezes nem as volto a ver, nem posso agradecer esta nova perspectiva.

Quarta-feira, 21 de Setembro de 2011

Cunhaste-me com a tua Marca :)

Acho espectacular a forma como as pessoas me surpreendem. Algumas pela negativa, e sim, tem sido um ano de muitas surpresas más, dolorosas e marcantes, feridas abertas e fundas, que não sei se algum dia serei capaz de as ultrapassar; tal como outras, agora recentes, pela positiva, por carinho, por amor, por valorização.

Como às vezes o conhecer alguém novo é algo bom, refrescante e exactamente aquilo que preciso? Aquele caminho que aparece quando não vemos mais direcções, ou o degrau que faltava naquelas escadas que subo e a que chamo de vida. Não é só o ouvir as palavras certas, é o comprovar, através de acções aquilo que se diz e defende. (Tantos falham neste ponto..)

Ouvi-lo ou senti-lo vindo de um familiar ou de um/a amigo/a que desde sempre faz parte da minha vida é bom, muito bom.. mas ouvi-lo e senti-lo de alguém que conheço recentemente, que no primeiro dia percebeu, o que a esmagadora maioria das pessoas leva uma vida a perceber, ou que nunca chega lá, é algo assim de... nem sei bem que palavra usar. É como um abraço longo e apertado com um beijo na testa. É um carinho assim, que vem do fundo do meu coraçãozinho tão partido, e colado tantas vezes. Como penso se ele um dia poderia voltar a sentir algo mais que frieza e indiferença... é tão bom sentir que está vivo novamente :)

Falo quando estou magoada, digo o que sinto, e não tenho problema nenhum em assumir a forma do meu coração. Da mesma forma falo do bom, o positivo, o maravilhoso, que deve igualmente ou mais até, ser falado, sentido, vivido, valorizado... protegido e amado.

Apaixono-me com facilidade... pela vida, por alguém que brinca com as palavras e as entrança num texto ou diálogo, por um cachorrinho bebé que aprendeu a andar e ainda tropeça nas suas orelhas, por um acto de bondade, por uma mão dada num momento certo, por aquele "perdoa-me" sentido e vindo bem do fundinho do coração, por um pôr do sol ou um nascer do dia, por um abraço apertado, pelo som de um riso, por uma paisagem, pela brisa que me toca no corpo e brinca com os meus cabelos..

Entraste no meu coração, sem medo. Consegues magoar-me, sem dúvida, e sem dificuldade entraste no espacinho mais sensível do meu ser. Contigo sinto-me frágil e vulnerável. Mas com a mesma facilidade me fazes sorrir :) e é bom, tão bom. Furaste todas as minhas barreiras, sentaste-te confortavelmente aqui e me fazes sentir que encontraste um espaço que queres que seja teu, e do qual não vais sair. E eu não abro mão de ti.

Fazes-me sentir tão especial. E és tão especial ao consegui-lo. Admiro. Pouco tempo passou e já amo muitas formas de ti. És uma alma como a minha.

Talvez seja egoísta... mas quero que continues a fazer parte da minha vida, seja de que forma for, tenha ela o caminho que tiver.

Quarta-feira, 20 de Julho de 2011

GRITAR!!

Apetece-me ir para a praia e gritar com todo o meu ar:

"TENHO SAUDADES TUAS CARALHOOOOOOOOOOOOO!!"

Quinta-feira, 12 de Maio de 2011

Às vezes o amor dura, outras dói.

É a realidade.

Os meus pais são absolutamente o exemplo do que eu não quero para mim.
A minha mãe não consegue estar sozinha, com ela própria, precisa de ter um centro para focalizar toda a sua atenção. Isso preocupa-me. Sempre foi assim, mas isso causa desconforto nas pessoas que a rodeiam.

Lembro-me de quando ela trabalhava, de criar um ambiente complicado quando começou a chefiar. Não por ser má profissional, mas porque simplesmente tem tudo de ser como ela quer e da maneira que quer. E conviver com alguém assim é extremamente difícil e desgastante, quanto mais viver com.

Tenho a perfeita noção de que não o faz por mal, que faz tudo com a maior das boas intenções, mas chega a ser sufocante.

Exemplos simples..
Se o frigorífico é aberto mais vezes do que ela acha premissível;
Se fazemos refresco com a água da garrafa errada;
O controle da quantidade de comida "só vais comer isso?";
O "onde vais, com quem, onde, a que horas chegas" constante;
O desligar o telefone na cara;
O fechar a porta na cara;
O dizer o que lhe apetece e depois vai embora sem permitir uma resposta ou diálogo;
O achar que, por não estarmos de acordo, que estamos automaticamente contra ela e sente-o como um ataque pessoal;
O queixume constante "o teu pai nunca me deixou conduzir", "se eu soubesse pegar no carro podia fazer muito mais coisas", "não posso ir ter aulas de..", "não posso", "não consigo", "agora já não vale a pena", "estou sempre enfiada em casa";
A centralização nela constante, a vitimização etc..

A minha mãe é uma pessoa bondosa, que dá e ajuda com facilidade, mas se a pessoa a quem ela ajuda não lhe devolver do mesmo modo ela fica ressentida. Facilmente entende uma ideia, uma frase, um comentário como uma crítica negativa ou com uma mensagem maldosa quando nem há essa intenção.

Se fazes é porque fazes, se não fazes é porque não fazes, se dizes é porque dizes, se não dizes é porque não dizes.

Numa discussão é capaz de dizer coisas "sem querer" e "que lhe saem", mas com um impacto gigante emocionalmente que nem todos temos uma armadura impenetrável para nos protegermos desses ataques.

Faz feridas, põe lá o dedo, e esburaca tudo provocando muita dor e feridas ainda maiores. Mas depois nem tem noção das coisas que disse, e se confrontada mais tarde afirma "eu nunca te diria uma coisa dessas!".

Não tem a mínima noção.

Isto preocupa-me porque qualquer coisinha como um objecto fora do sítio é razão para haver uma dicussão enorme entre ela e o meu pai, em que é bem capaz de ficar sem lhe fazer 2 semanas sempre num ambiente de hostilidade constante.

Viver assim é difícil, é instável, é doloroso.

O meu pai foi operado às varizes há coisa de 3 semanas, andou muito nervoso antes e descarregou em cima dela. Por nervosismo e por ela estar sempre em cima dele. Sei como é. Não há limites.. sei que ele exagerou no drama. Homens, uns mariquinhas!

Estas últimas 3 semanas, desde que ele veio da operação, ela tem andado mais calma, não muito paciente, mas completamente mãe galinha para o meu pai. E eu sei que isso o enerva, mas é a tal necessidade de ser a controladora do mundinho que a rodeia. O problema é que não consegue ver até onde pode ir a sua ajuda e acaba por interferir com o espaço de cada um. E quando queremos o espaço de volta sente-se extremamente ofendida.

Eu odeio que me mexam nas coisas pessoais. Odeio que entre pelo meu quarto adentro sem bater à porta. E note-se, quando a chamo à atenção sobre isto, começa a bater à porta, mas abre-a sem ouvir um "podes entrar". Portanto, vai dar ao mesmo.

Há 2 dias chateou-se com o meu pai, começou a mandar vir com ele por causa da garrafa de refresco. E o meu pai, disse algo como "espero que ir agora uns dias contigo para óbidos não seja assim". Eu sei perfeitamente que o que ele pensou e quis dizer, era que precisava de espaço, que ela não pode estar constantemente a controlar o que fazemos, o que comemos, dizemos, vestimos, vemos na tv.. epá.. que nervos!

Só que o problema, é que ela levou aquilo como um "ele trata-me mal, quero o divórcio". Pois é, hoje liguei ao meu pai porque eles sairam e não disseram nada, estavam os 2 na conservatória a assinar o divórcio.

Isto é normal? Passado quase 40 anos de casamento e depois de uma estupidez deste tamanho. Só sei que falei com ele e ele disse-me algo como "olha sei lá, a tua mãe quis vir", como quem diz "nem me atrevo a discordar dela senão começa aos berros e estou farto de discussões". Pedi-lhe para lhe passar o telefone e perguntei que estupidez era aquela. Responde-me algo como "Porquê? Foi o teu pai que te mandou dar o recadinho, foi? Ele realmente faz bem as coisas, consegue sempre o que quer sem ser ele a fazer por isso, põe-vos a falar e depois eu é que sou a má." Mandei um berro, com a irritação que já tinha "ELE NÃO ME DISSE NADA, EU É QUE NÃO SOU OTÁRIA E PERCEBO BEM AS COISAS". Para variar, quando não lhe agrada a conversa ou quando não concordo com ela, desliga-me o telefone na cara.

Se eu tivesse um euro por cada vez que ela mo faz já teria uma fortuna bem grande!

Fiquei extremamente chateada com a atitude dela, habitual como as outras, e fui trabalhar num estado de nervos que só me apetecia partir coisas. Mandei-lhes uma mensagem "se vão em frente com essa estupidez escusam de voltar a falar comigo".

Voltei a casa, não falei com nenhum deles. Assim que a minha mãe se apanhou sozinha comigo em casa, veio ao quarto tentar pôr-me do lado dela, vitimizando-se. Argumentei dizendo que não considero minimamente inteligente uma atitude de impulso como aquela, e como tal, não tenho nada a dizer-lhe. Uau, passou-se, basicamente disse que eu não vejo o lado dela, só o outro, que a minha opinião é parcial, blá blá blá. O costume. Como se eu estivesse do lado de algum deles! Poderia estar mais do lado do meu pai porque sei o que é tê-la descontrolada contra mim e a dizer-me as maiores barbaridades. Ela venceu-o pelo cansaço, mas perderam os dois.

Nem sei se chegaram a divorciar-se ou não, e sinceramente, neste momento não quero saber. Quero é que me deixem em paz e não me ponham mais no meio desta guerra mundial.

Não sou contra divórcios, mas sou contra razões estúpidas para um casal, que eu sei que gostam um do outro, divorciarem-se assim sem mais nem menos. Sou contra uma decisão destas, tomada a quente, porque não dão oportunidade um ao outro de conversar e discutir o assunto sem que a minha mãe esteja descontrolada e aos berros e o meu pai a sair porta fora porque já não a aguenta.

Isto é exactamente o que eu não quero para mim. Ter uma relação assim ou ficar sozinha, prefiro mil vezes ficar sozinha.

Agora vim estudar para casa da Marisa, jantámos e vim dormir aqui. Não tenho a mínima vontade de falar com nenhum deles tão cedo tal é a revolta.

Conviver com alguém durante 40 anos e não dar oportunidade à outra pessoa para falar, conversar, resolver o conflito, é para mim, no mínimo, uma falta de respeito, tanto para si próprio como para o outro. Acho inconcebível. Não aceito. Não quero.

Estou farta de estar sempre a ser metida no meio deste relacionamento que não me diz respeito. Estou farta de estar a ser "conquistada" para ter uma opinião a favor de um, contra o outro.

Quem já não aguenta, quem já não quer saber, quem se recusa a fazer parte desta fantochada toda, sou eu.

"Sometimes it lasts in love, but sometimes it hurts instead."

Às vezes dura, outras dói.



Adele - Someone Like You


I heard
That you're settled down
That you
Found a girl
And you're
Married now

I heard
That your dreams came true.
Guess she gave you things
I didn't give to you

Old friend
Why are you so shy?
Ain't like you to hold back
Or hide from the light

I hate to turn up out of the blue uninvited
But I couldn't stay away, I couldn't fight it.
I had hoped you'd see my face and that you'd be reminded
That for me it isn't over

Never mind
I'll find someone like you
I wish nothing but the best for you too
"Don't forget me," I begged
"I'll remember," you said
"Sometimes it lasts in love
But sometimes it hurts instead."
Sometimes it lasts in love
But sometimes it hurts instead,
Yeah.

You know how the time flies
Only yesterday
It was the time of our lives
We were born and raised
In a summer haze
Bound by the surprise
Of our glory days

I hate to turn up out of the blue uninvited
But I couldn't stay away, I couldn't fight it.
I had hoped you'd see my face and that you'd be reminded
That for me it isn't over.

Never mind
I'll find someone like you
I wish nothing but the best for you too
"Don't forget me," I begged
"I'll remember," you said
"Sometimes it lasts in love
But sometimes it hurts instead."

Nothing compares
No worries or cares
Regrets and mistakes
They are memories made.
Who would have known
How bittersweet this would taste?

Never mind
I'll find someone like you
I wish nothing but the best for you too
"Don't forget me," I begged
"I'll remember," you said
"Sometimes it lasts in love
But sometimes it hurts instead"

Never mind
I'll find someone like you
I wish nothing but the best for you too
"Don't forget me," I begged
"I'll remember," you said
"Sometimes it lasts in love
But sometimes it hurts instead"

Sometimes it lasts in love
But sometimes it hurts instead

Quarta-feira, 11 de Maio de 2011

Quase quase igual

Às vezes penso que gosto de ti porque és igual a mim.

Ou quase quase igual.

Domingo, 8 de Maio de 2011

O post com mais asneiras da vida deste Blog

Cada vez mais tenho a vontade de dizer a certas amigas minhas o que acho ou deixo de achar sobre os novos namorados ou supostos. E cada vez mais acho, que devo ter uma opinião e poder de voto acerca de quem escolhem para dar as suas cambalhotas, quando isso implica com os seus sentimentos.

"Elahh!! Granda controladora que me saíste!" - Devem vocês estar a pensar isso, certo? Nada disso, não quero de todo controlar a vida de ninguém, mas a verdade é que acaba por me afectar as escolhas que fazem. Passo a explicar.

Quando elas se envolvem com gajos de merda, se eu aviso para não o fazerem que se vão dar mal, e mesmo assim fazem-no.. eu já sei qual é o desenlace! Chorar no ombro da Marta. Ora, se eu depois de avisar, depois de argumentar por A mais B, por razões que EU SEI que se vão dar mal com o fulano X, e o fazem, depois tenho de ouvir?

É aqui que isto afecta a minha vida! E não é uma questão de egoísmo.. é mesmo de frustração por sentir que falo com pedras da calçada, vulgo calhaus com olhos.

"Ah e tal na amizade deve-se sempre ouvir os desabafos e deixar as pessoas chorar no ombro e blá blá blá.."

Então que tal:

"Ah e tal o CARALHO! ANOS E ANOS E ANOS a ver certas amigas minhas a meterem-se com gajos que não interessam nem ao Menino Jesus, eu AVISO, e digo para terem cuidado, "que esse gajo anda a fazer-se a outras raparigas que eu sei" (ou outras razões.. é que eu acabo sempre por saber..), e mesmo assim age da mesma maneira.. ANOS E ANOS! Sempre a mesma dança, sempre o mesmo resultado: ficam na fossa total e absoluta por um anormal que só tem puré de merda naquela cabeça."

É como a anormalidade que é este governo, as pessoas sabem bem no que certas decisões políticas vão resultar, avisam, quem toma as decisões e tem o poder não ouve sequer, faz o que lhe apetece, e depois, quem é que leva com a merda na ventoínha? É O ZÉ POVINHO!

Estou um bocado irritada com isto. Acabei de assistir aquele PULHA no chat do facebook a fazer-se à grande à minha amiga R, e fui dizer à minha amiga V (com quem o pulha anda a sair e a fazer a conversa do bandido de que quer namorar com ela, que só ela lhe interessa blá blá blá), avisei-a, ainda se virou contra mim porque me recusei a dizer quem é a R e me recusei a mostrar a conversa entre o pulha e a R.

Estou no meu direito de proteger a R. Pronto. Tenho mau feitio? Se calhar tenho. PACIÊNCIA, não gosta não come. E avisei a V, que mais uma vez se vai enterrar até ao pescoço. Esperemos que não engravide!

Vou é deixar de me enfiar nestes dramas. "Ah andas a papar o X? Ok, tudo bem, tu é que sabes."

E vai passar a ser assim, envolver-me o mínimo possível porque estou fartinha, até à ponta dos cabelos com gajos que não valem um cú (e mulheres também, mas isso é outra história, é o conto de que "por uns pagam os outros" e muitas de nós andamos a pagar pelas asneiras que algumas putas cometem!).

E é isto. Hoje estou só a praguejar. Este deve ser o meu post mais reles de todo o blog, mas sinceramente, ESTOU TÃO IRRITADA com estes cocós ambulantes, que só me apetece dizer caralhadas.

A verdade, é que daqui a uns meses, a minha amiga V, vai-me ligar, e vão ser telefonemas de horas a fio, a chorar baba e ranho, a dizer que ele fez e aconteceu, que a magoou assim e assado, e lá está, vou dizer nessa altura "eu avisei" (em modo repeat, sim, porque também mereço ter razão e vangloriar-me com isso, embora não me sinta feliz de ter razão nestas situações, confesso) e mais uma vez vou ficar com a ideia reforçada de que, eu deveria ter voto na matéria nos namorados e amigos coloridos que certas amigas minhas decidem ter, porque depois, vai sobrar para mim.

E assim, com algum pseudo-egoísmo, pura irritação, sentimento de proteção a essas pessoas (de quem gosto realmente, ou não me preocuparia minimamente com elas), me despeço hoje, do meu post mais mal escrito de toda a história do "A Realidade Supera a Ficção".

Segunda-feira, 4 de Abril de 2011

És, a minha memória mais dolorosa.

Balanço-me entre emoções distintas e opostas.

Às vezes tenho saudades tuas, outras não sei em quem te tornaste, não te conheço. Pensava que sim. Pensava que conhecer-me era conhecer-te. Porque éramos iguais, éramos a mesma pessoa, em corpos diferentes.

Tinhas mesmo de me enganar?

Aquela sensação de ser impossível alguém me desiludir mais ainda do que já o fez, de me fazer sentir o vazio de uma forma tão arrebatadora como sinto, por vezes, felizmente nem sempre.

Dizem que a maior vingança é ser feliz. Às vezes sinto-te feliz, como que uma forma de te vingares de mim. Ou simplesmente é puro desprezo. Desprezas-me?

Não sei qual delas é.

Às vezes alegra-me pensar que possa haver alguma marca de saudade, nesse espaço vazio onde um dia me mostraste haver um coração. Gelado, agora sei que o é. Outras vezes sinto que pura e simplesmente me apagaste da tua vida, quem nem te lembras da minha existência.

Não é a dúvida que me destrói. É a certeza. A certeza do que sinto, a certeza do que sei.

Ver o futuro não é um dom, pode ser um destino cruel. É cruel esperar, passarem meses e eu saber, que é contigo que vou ficar, e no entanto ter de esperar, com esta dor, esta raiva, este sentimento de injustiça.

Amo-te, odeio-te, quero vingar-me, quero perdoar-te. Não quero mais amar-te, não quero mais odiar-te, não quero sentir nada, nem desprezo quero sentir. Sinto-me incapaz de fazer qualquer uma delas. Quero a indiferença. Quero o esquecimento. A inexistência de lembrar que um dia fizeste parte de mim.

Preciso de distância, continuo a precisar dela, e no entanto é a distância o que já tenho. E não me chega, não me preenche, não é o que quero.

Não sei bem o que quero..

Odeio a tua indiferença. Odeio saber que te possa ter causado mágoa. Odeio que me tenhas magoado e que o continues a fazer, odeio que te seja indiferente. Odeio esse rancor, essa a mágoa que sinto.

Sempre me disseste que não me irias magoar. Mentiste. Afinal fizeste o contrário. Disseste que era a tua melhor amiga. Mentiste-me novamente. Sinto-me enganada.

Não é possível magoares-me mais. Não é possível desiludires-me mais. Não é possível sentir mais mágoa por alguém do que a que sinto por ti. Do que a que me fizeste sentir.

Foste o melhor e o pior que me aconteceu. Agora és apenas uma névoa, uma memória dolorosa.

Espero que um dia possas explicar-me porque o fizeste. Preciso de ouvi-lo.

Espero que tenhas essa coragem.

Segunda-feira, 28 de Março de 2011

"Ninguém deve actuar racionalmente por uma emoção"

Deveria sentir-me feliz, não é?

"Quase Gosto da Vida Que Tenho" de Pedro Paixão, é um livro do qual me sinto atraída com alguma curiosidade. Talvez porque a frase que dá nome ao livro, é como me sinto agora, eu Marta, quase gosto da vida que tenho.

Continuo a sentir-me perdida em mim própria, no meio de objectivos indefinidos que tenho, a adiar um rumo que tem que ser meu, criado por mim, desenhado por mim, e apenas por mim.

E no entanto tenho adiado. Talvez porque tenha que tomar decisões e as decisões podem magoar.

A minha professora de filisofia diz que "o ser humano é racional" e que todos temos uma "coerência antropológica" da qual "não podemos fugir".

Portanto, a coerência antropológica da qual não podemos fugir funciona assim, por esta ordem (são 9 etapas):

Na dimensão sensorial temos 4 etapas:
1ª - A Sensação;
2ª - A Percepção;
3ª - A Emoção;
4ª - A Imagem.

Na dimensão racional temos 2:
5ª - O Conceito;
6ª - O Juízo.

Na dimensão voluntária temos mais 3:
7ª - As Escolhas;
8ª - A Decisão;
9ª - A Acção.

Isto basicamente significa que, temos sensações com todo o nosso corpo; com elas apercebemo-nos do mundo que nos rodeia; sentimos emoções como reacção a essas sensações, que podem ser positivas ou negativas; as imagens, quando vividas tornam-se memórias, quando construídas torna-se a imaginação. A estas imagens associamos os conceitos e a estes os juízos de valor. Dos juízos fazemos as escolhas, sempre em termos de comparação, sempre uns em detrimento dos outros. Com base nestas escolhas decidimos. Somos obrigados a fazer escolhas. Mas nada disto nos serve se não agimos depois da escolha, sem a acção, de que nos vale decidir se não a pomos em prática? A acção é a última etapa do nosso agir racional.

Como disse alguém: "estamos condenados à liberdade".

Quando agimos com base na emoção faltam-nos alguns passos, agimos de cabeça quente e não na nossa racionalidade. Por isso quando alguém comete um crime passional se diz "não estava em si, agiu emocionalmente".

Seremos menos evoluídos os que agem com base num impulso, num instinto, numa emoção? Talvez, ou talvez apenas está incompleta no processo, ficamos a meio se não agimos racionalmente.

Há muitos seres humanos a meio do processo. Vivem intensamente, mas pela metade.